O Ministro peca ao discriminar irmãos, visitando especialmente o de melhor poder aquisitivo ou tratar, com sutileza, procurando os que contribuem com maior dízimo. Isto é pecado grosseiro.
Nunca esqueçamos que o obreiro inescrupuloso é conhecido do seu sucessor.
As pessoas vêem no pastor o homem de Deus e atendê-lo é como prestar um serviço ao Senhor.
Eis por que, mesmo às vezes sendo espoliadas, as ovelhas, estrategicamente, tendem a se deixar esbulhar, até certo ponto, pois, dessa forma, entendem que dividem seus pecados com a mochila de pecados do pastor e assim persistem em práticas pecaminosas, aumentando suas dívidas espirituais, Is 46: 11.
O pastor não pode aliar-se a facções na igreja. Isto é notória imaturidade, pois se assim o fizer não terá como agir na condição de árbitro em questões. Dessa forma, aquele que tem o dever de contribuir com palavras sábias para encaminhar soluções em causas entre irmãos torna-se impedido de assim agir, pois faz parte da pendenga, 1 Co 6: 5.
É tido por vazio o obreiro palrador. O sábio Watman Nee no livro O Obreiro Cristão Normal, diz: “O obreiro que muito fala perde poder,” Tg 1: 19. É exigido do pastor que seus negócios particulares estejam sempre em ordem, pois seu nome representa a igreja local. O pastor não pode abusar da liberdade do seu horário, bem como do tempo em geral para inventar caçadas, passeios, pescarias, em dias que não lhe pertencem.
É imprescindível que o líder maior da igreja goze do respeito e do bom relacionamento dos oficiais da igreja, evitando que a imprudência, as maledicências, as invejas e outros senões façam brotar amarguras e perturbar o bom andamento do corpo de Cristo.
Deve estar atento para, quando a idéia do irmão for melhor que a sua, admitir as observações dos oficiais, ainda que não lhe sejam agradáveis, sendo, porém, lógicas e verdadeiras. Ademais, deve cuidar para que a influência da esposa não se faça presente nas decisões do Conselho e tampouco deixar que revelações e profecias norteiem a administração da igreja.
Não vai aqui condenação qualquer aos dons espirituais que devem ser exercitados normalmente na igreja, mas uma observação necessária. Um pastor que tem consciência de sua vida com Deus não permitirá ser um títere de quem quer que seja.
IV - O HOMEM DE DEUS NA SOCIEDADE
Houve um tempo em que o Ministro do Evangelho era visto com maior respeito na sociedade, mesmo sem que a sua mensagem fosse bem acolhida. Porém, com a proliferação dos “vendedores de bênçãos”, o pastor deixou de ser olhado respeitosamente, o que faz com que busque maior respeitabilidade perante a sociedade.
Não delongarei sobre este tópico, pois a Bíblia é rica em mostrar qual deve ser a conduta do crente em meio à sociedade, mas chamarei o exemplo de um velho profeta que com seu conhecimento deixou para o obreiro um belo roteiro de vida. Trata-se do profeta Eliseu. Ele foi:
a) Homem de trabalho. Foi chamado para ser profeta quando arava o campo, 1 Reis 19: 17. Deve o pastor ser conhecido como varão ativo, respeitado pelo seu desempenho em prol do bem pessoal e coletivo;
b) Servo atento, foi apegado ao mestre Elias e perseverante no aguardo da bênção, 2 Reis 2: 1-14;
c) Ministro santo. Pelos seus modos, distingue-se de longe aos olhos observadores da sunamita, inspirando, assim, respeito e influindo, por certo, naquela vida 2 Reis 4: 9;
d) Homem de acesso livre. Tanto junto ao mais simples do povo como ao palácio do rei. Porém, humilde e manso, 2 Reis 4: 13;
e) Profeta cheio de poder. Foi conhecedor dos oráculos do Senhor a ponto de ministrar a concepção da vida, 2 Reis 4: 16;
f) Homem capaz. Pôde desfazer pelo poder de Deus obras estranhas, levando ao seu povo alegria, socorro e reconhecimento da existência do Senhor Deus, 2 Reis 4: 17.
V - FINALMENTE
Ser Ministro do Evangelho é ser depositário de missão muitíssimo relevante, pouquíssimo entendida por demais deturpada nos momentos atuais, porém indispensável, pois todo homem precisa de guias espirituais idôneos para auxiliá-lo na visão do caminho para Deus que, embora pareça livre, encontra-se cheio de percalços, como bem ilustra o livro O Peregrino, do autor inglês João Bunyan.
A ministração espiritual é das mais antigas atividades no mundo. Foi designada por Deus e deturpada por Satanás, com o fim de manter o homem no engano.
O Ministro de Deus vê além da cortina natural e sabe que o físico é manipulado pelo espírito e que somente a sabedoria dada por Deus dá condições para ver a patente interação do invisível e visível. Somente o Senhor Deus pode fazer o obreiro entrar no mundo paralelo, tirar os obstáculos e assimilar, pelas Escrituras, o remédio seguro, imunizante do mal.
Ser Ministro de Cristo não é ser gerente de igreja, não é ser técnico de ritos religiosos; é, antes de tudo, ser exemplo de vida ante o mundo tangível, ou seja, o natural e o espiritual, sofrendo, alegrando-se, tropeçando, levantando-se, sendo por vezes incompreendido, mas a todos compreendendo, pois Deus é o seu ajudador.
Acrescendo a tudo isso, é importante sempre e bom lembrar que Satanás não respeita qualquer criatura e título, a não ser que esta viva sob o manto da justiça, na prática da retidão.
Pr. Francis Farias da Silva